
Os estudantes do curso de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) participaram, na segunda-feira (6), de uma aula especial na disciplina Intérpretes do Brasil, ministrada pelo professor Marconi Gomes da Silva e pelo professora Denílson da Silva Araújo, do Departamento de Economia. A atividade contou com a presença do músico potiguar Carlos Zens, convidado para compartilhar sua trajetória artística e discutir o papel da música na construção da identidade nacional.
De acordo com o professor Marconi Gomes, a disciplina tem como objetivo apresentar aos estudantes autores que refletiram sobre o Brasil entre o século XIX e as primeiras décadas do século XX. Nesse período, segundo ele, diversos pensadores analisaram a passagem de um Brasil considerado pré-moderno para um país em processo de modernização.
Nesse contexto, a aula buscou aproximar o debate acadêmico da produção artística. Durante o encontro, o Carlos Zens apresentou reflexões sobre sua trajetória musical, suas referências culturais e a relação entre música e identidade brasileira. O músico também destacou o processo de fusão entre diferentes tradições musicais que marcaram a formação cultural do país, reunindo influências dos povos originários, das culturas africanas e da tradição erudita.
Segundo Marconi, trazer a música para a discussão contribui para ampliar a compreensão dos estudantes sobre o período histórico abordado na disciplina. Ele explica que, durante a construção da nação brasileira e da formação de um mercado nacional, houve um esforço significativo para afirmar expressões artísticas capazes de representar o país.
“Esse movimento buscava revelar o que melhor identifica o Brasil, ao mesmo tempo em que incorporava elementos de outras culturas”, afirma o professor. Para ele, a música teve papel central nesse processo, sendo utilizada como forma de expressão cultural e de afirmação nacional.
Durante a aula, Carlos Zens percorreu diferentes momentos da música brasileira, dialogando com artistas e movimentos que marcaram o século XX e o início do século XIX. O músico também apresentou elementos da sua própria produção artística, que dialoga com essa tradição de fusão entre ritmos brasileiros e influências eruditas, em linha com compositores como Heitor Villa-Lobos.
Para os docentes responsáveis pela disciplina, a proposta é que atividades como essa contribuam para ampliar a formação dos estudantes. “A vida universitária não diz respeito apenas ao aprendizado de um saber específico, mas também ao contato com outras dimensões da vida social e cultural”, destaca Marconi.
A expectativa é que a experiência incentive os alunos a explorar novos referenciais artísticos e culturais, além de fortalecer a relação entre conhecimento acadêmico e produção cultural brasileira. Segundo o professor, iniciativas como essa também ajudam a despertar o interesse dos estudantes pelo conteúdo da disciplina, criando vínculos afetivos com os temas estudados em sala de aula.
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