
O Departamento de Economia (DEPEC) do Centro de Ciências Socias Aplicadas da UFRN (CCSA/UFRN) realiza, nos dias 18 e 19 de agosto, o minicurso Breve histórico e conceitos básicos da Economia Feminista. A atividade ocorre Auditório do Nespa II, e busca apresentar as origens e os fundamentos da Economia Feminista, além de discutir suas contribuições para a formulação de políticas públicas e para o enfrentamento das desigualdades de gênero.
Dividido em dois módulos, o curso percorre o surgimento do debate sobre gênero na ciência econômica, passando pelas contribuições das economistas feministas-marxistas e pela consolidação do campo da Economia Feminista a partir da segunda metade do século XX.
A programação abrange questões contemporâneas, como o papel do cuidado e do trabalho reprodutivo nas análises econômicas, a expansão da área em países como os Estados Unidos, seu desenvolvimento inicial no Brasil e os desafios para a construção de políticas públicas mais inclusivas.
Em depoimento à Assessoria de Comunicação da UFRN, o professor e organizador do curso, William Eufrásio, explica que a proposta nasce da necessidade de repensar a economia diante das transformações sociais atuais. O docente destaca que apesar de parecer neutra, a ciência econômica “ainda apresenta características desumanas, machistas, racistas e preconceituosas”. Em sua concepção, é fundamental ampliar o olhar econômico para incluir o cuidado, a diversidade e a dignidade humana. “Pensar uma economia mais humanizada, democrática e feminina tem sido uma tendência irreversível”, reforça.
A conferencista Débora Machado Nunes é professora assistente na Monmouth University, nos Estados Unidos, leciona disciplinas como História do Pensamento Econômico, Economia Feminista e Comércio Internacional. Ali, também desenvolve estudos focados na economia feminista, com uma abordagem crítica inspirada no marxismo. Sua vinda ao Rio Grande do Norte representa uma oportunidade valiosa para aprofundar as discussões sobre a temática no Brasil.
Embora o Brasil ainda esteja atrás de países nórdicos e europeus no desenvolvimento do campo, o professor acredita que o avanço tem sido constante. “Nos anos 1980, quando entrei na universidade, não ouvia falar da temática. Hoje, no século XXI, proliferam as iniciativas”, reflete William. O professor cita grupos de pesquisa já consolidados, como os existentes na UFSC, UFRGS, UFRJ e UFMG, e destaca o crescimento tanto quantitativo quanto qualitativo da área.
Ao ponderar sobre a urgência de repensar a economia a partir do gênero, William afirma que a Economia Feminista prioriza valores como cuidado, humanidade e respeito à diversidade. “A economia feminista procura romper com o processo de reprodução desumano, buscando formas outras de integração que promovam a dignidade do ser humano em toda sua diversidade’’ conclui.
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